2015 - pinturas

Uma cor não é só uma cor

UMA COR NÃO É SÓ UMA COR

 

Série de pinturas work in progress. São pinturas de naturezas mortas feitas em suportes encontrados, sobre pinturas encontradas.

 

São estudos de observação da interação das cores.

As cores aparecem nas composições em reflexos, uma dentro da outra, como a sombra de uma fruta na mesa, nos reflexos de um objeto no outro e também em resquícios de pinturas que já estavam no suporte.

 

Essa série aborda a pintura em si, a pesquisa constante e insaciável da cor e o próprio ato de pintar (faço um autorretrato no reflexo de bolas de vidro registrando o momento em que pintava).

 

A natureza morta, gênero clássico da pintura, é abordada e desdobrada constantemente na história da arte e na arte contemporânea. Os objetos surgem o mais próximo possível de suas formas básicas: círculos, quadrados, cones e triângulos e, por isso, sua simplicidade é muito forte e a composição mais evidente.

Uma cor nunca é só uma cor, em vários sentidos. A pintura constrói seu significado primordialmente por meio da cor, e a poética da pintura, seu pensamento, se dá por meio da sensação das cores construindo as composições que afetam os sentidos.

 

Além de significar e formar as composições, estão em constante movimento e mutação devido à luz e também devido ao reflexo de uma cor na outra, em contaminação mútua. Um cor nunca está congelada no espaço, ela é mutável, uma sensação em movimento. Segundo Josef Albers em A interação da cor, quase nunca se vê uma cor como ela realmente é fisicamente e isso faz com que a cor seja o meio mais relativo entre os empregados pela arte.

A color is not just a color

Series of work-in-progress paintings. They are still life paintings made onto supports, other paintings that I have found.

They are studies upon the observation of the interaction of colors. The colors appear in these compositions as reflections, one within the other, as the shadow of a fruit on a table, as in the reflection of an object on to the other and also in the remains of the old painting that was originally on that support canvas.

This series approaches the painting itself, the constant and insatiable research of color and the act of painting per se (I have made a self-portrait in the reflection of  glass balls, a record of that very moment when I was painting.)

Still life, a classic painting genre, is constantly approached and developed in the history of art as well as in contemporary art. Objects come as close to their basic forms as possible: circles, squares, cones and triangles and, because of that, they convey a very strong sense of simplicity and the most evident sort of composition.

A color is never just a color, in many senses. Painting conveys its meaning mainly through the colors and its poetry, its thoughts, come from the feelings generated by these colors creating the compositions that affect the senses.

Besides bringing meaning and being part of the compositions, colors are in constant movement and mutation due to Light also due to the reflection of one color on to the other, in mutual contamination. A color is never frozen or fossilized in space, it’s mutant, it’s a moving sensation. According to Josef Albers in “Interaction of Color”, we hardly ever see a color as it really is physically, and that makes the color the most relative means among those used by Art.

Uma cor não é só uma cor I

acrílica e colagem sobre tela