Objetos, instalações, cacos e rascunhos

Sobre tudo aquilo que não conversamos e outras coisas { realizado em parceria com Marcelo Kraiser}

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Sobre tudo aquilo que não falamos e outras coisas

 

 

Amo tanto essas imagens deixadas por meu pai.

Assim, resolvi fazer alguma coisa com elas, alguma coisa que fosse um trabalho de arte.

Chamei um grande amigo de papai, que hoje é um grande amigo meu, o Marcelo, para que fizéssemos esse trabalho juntos. Já que sempre estamos a conversar sobre meu pai e tudo o que ele fazia.

Desde que papai morreu, há sete anos, convivo com os objetos, móveis, alguns lençóis, fotografias muitas, obras incríveis e desenhos, rascunhos inumeráveis que ele fez.

Os slides estavam guardados em um armário junto com seu currículo e pastas com recortes e catálogos, convites e todos esses comprovantes de que nós artistas necessitamos para provar que fizemos alguma coisa.

Eu não conhecia essas imagens. Comprei um projetor antigo pela internet e comecei a conhecê-las.

São fotos que ele ou alguém que estava com ele tirou. As ordenei em grupos, de paisagens, animais, trabalhos, pessoas e família. Ele aparece em algumas, que para mim são as mais raras, provavelmente autorretratos com a câmera no disparador automático. Todas as fotos sem legendas.

Sei que muitas foram tiradas na Finlândia e em alguns outros países pelos quais viajou. Consigo reconhecer nessas imagens, além dos familiares, somente uma pessoa: Caetano Veloso.

Só sei isso.

Eu amo tanto essas imagens que as agrupei e apresentei como um trabalho, elaborado junto com o Marcelo, na exposição “Estranho Mundo Próximo”. São projetadas em cacos de papel transparente suspensos no ar. Nunca aparecem inteiras, só em fragmentos.

Pra mim, são como meu primeiro filme. Um filme que fala sobre tudo aquilo que não falei e sobre o que não falávamos, eu e meu pai.

About everything we haven’t said and other things

I love these images left by my father so much.

So, I have decided to do something about them, something that was a work of art.

I invited Marcelo - a great friend of my dad’s who is today a great friend of mine – so that we could do this work together, since we are always talking about my father and everything he used to do.

Since my father died, 7 years ago, I live among objects, furniture, some bed linen, many photographs, amazing works and drawings and innumerous drafts he had made himself.

The slides had been kept in a cabinet together with his résumé and folders with scraps and catalogues, invitations and all sorts of evidence that we artists need to keep, to prove that we have actually done something.

I didn’t know those images. I bought an old slide projector online and started to know them.

They were photos taken by him or by someone who was with him. I separated them into categories – landscapes, animals, people and family. He is in some of them – which are for me the rarest – probably self-portraits taken with the camera timer. All the photos without captions.

I know many of them were taken in Finland and in other countries he had visited. I can recognize in those images - apart from our relatives - a single person: Brazilian singer and composer Caetano Veloso.

That’s all I know.

I love those images so much I have grouped them and presented them as work, put together with our friend Marcelo, in the exhibition “Estranho Mundo Próximo” (“Strange Near World”). They were projected onto scraps of transparent paper, hanging in the air. They were never shown as whole, only as fragments.

To me, they are like my first film. A film that talks about everything I wasn’t able to say or we didn’t use to say, my father and I.

Infinitos de Cor

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Infinitos de cor

Infinitos de cor em expansão

Infinitos de cor entrelaçados

 

 

Os Infinitos foram expostos pela primeira vez na exposição “Provocando o Infinito” que fiz no espaço cultural da Mannesmann, em Belo Horizonte. Pinturas, objetos e fotografias formavam o conjunto.

 

As ampulhetas são antigos medidores do tempo, um tempo que se mede com o fluxo da matéria de um espaço para outro. A forma do objeto ampulheta é semelhante ao infinito.

Quando colocada horizontalmente na paisagem, a ampulheta cristaliza esse fluxo, esse tempo que para de escoar.

Quando colocada em caixas com pigmentos, as cores entram em diálogo formando um ritmo. Infinitos eternizados. A pergunta se seria possível eternizar algo ou alguém por meio da imagem continua em fluxo.

 

As 9 caixas são de madeira mogno, com vidro, pigmentos, e ampulhetas

36x36x10cm o conjunto das 9 caixas

2014

 

A partir dos Infinitos de cor surgiram desdobramentos. A fotografia dos infinitos repete outra tentativa de eternização, de permanência e, quando desfocada, essa cor que está confinada dentro do espaço se dissipa em expansão. A imagem se dissipa junto com a cor em uma lenta expansão registrada graças à fotografia. É também uma redundância proposital, visto que o infinito por assim ser está sempre em expansão.

As fotografias têm tamanho 15x22,58 cm

2014

 

Os Infinitos entrelaçados são esses mesmos infinitos de cor em uma dança ou abraço. Sua configuração é múltipla e pode variar, como em um jogo de cores. Um infinito sustenta o outro.

Os conjuntos têm geralmente têm 13x13x13cm, mas variam de acordo com a dimensão das ampulhetas.

2014

Infinities of colors

Infinities of colors expanding

Infinities of colors intertwined

The Infinitos (Infinities) were first displayed at the exhibition “Provocando o Infinito” (Teasing Infinity) that I did at Espaço Cultural Mannesmann, in Belo Horizonte, Brazil. Paintings, objects and photographs were part of the set.

Hourglasses are old tools for measuring time, a time that is measured through the flowing of matter, from a space to another. The shape of an hourglass is very similar to the symbol that represents infinity.
When placed horizontally in the landscape, the hourglass crystallizes this flux, this time that stops flowing out. When placed inside boxed with pigments, the colors create a dialogue that leads to a rhythm, a pace. Eternalized infinities. The question of whether it would be possible to eternalize someone of something remains at play.

The 9 wooden boxes are made of mahogany with glass, pigment and hourglasses. 36cmX36cmX10cm – set with 9 boxes (2014)

From Infinitos Entrelaçados (Intertwined Infinities) new things have unfolded. The photography of the Infinities emulates another attempt towards the eternal, the permanence, and when out of focus, the color that was once confined inside that space dissipates in expansion. The image is dissipated together with the color in a slow expansion which is captured thanks to photography. It’s intentionally redundant, given that our Universe is always in constant expansion.

The photographs are sized 15cmX22,5cm (2014)

Intertwined Infinities are these same infinities of color in the middle of a dance or an embrace. Their configuration is multiple and may vary, as in a game of colors. One Infinity supports the other.

The sets are mostly 13cmX13cmX13cm but may vary according to the size of the hourglasses. (2014)

Provocando o Infinito

Objetos peças de montagens diversas

Bichos de Mariana - Coleção da Árvore não genealógica

À espera

Jardins de mão

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